From the recording Prisão Sem Chaves

Lyrics

Ainda na puberdade
Sonhava com regalo e patrimônio
Da origem pobre, desprezou a verdade
E ouviu, na noite, o convite do demônio

Na escassez, em sussurros traiçoeiros
O fátuo brilho começou a chamar
Seduzido por desejos passageiros
Resolveu aquele portão atravessar

Atravessou os portões da mortandade
Embriagando-se com sangue vertente
De almas que emanavam simplicidade
Restaram marcas de caninos prepotentes

Desprezou os avisos e a sorte
Mãos e pés em sangue coagulado
Apostou num jogo faustoso com a morte
E pelo insano, o consciente foi decapitado

O brilho era falso
Mas ele não quis enxergar
Cada passo além daquele portão
O afastava do caminho de voltar

Prisão sem chaves
O falso brilho o fez atravessar
Prisão sem chaves
Prometeu liberdade para aprisionar

Trocou a verdade pela ilusão
Fez do desejo sua própria prisão
E além daquele portão
Não encontrou saída

Agora desfere gargalhadas fétidas de pavor
Nadando nas ondas do fogo que ateou
Olhos entenebrecidos de irrefreável dor
Descobrem o resultado do jogo que apostou

Lágrimas de sangue escorrem pelo rosto
Um telão de sombras invade sua mente
Diabos zombadores bradam pelo seu gosto
E garras o alcançam em ataque veemente

As dores das chamas
Fazem sua alma gritar
Quando um vislumbre rasga sua mente
E o obriga a recordar

A beleza
A liberdade
Do humilde passado que deixou
A paz que um dia desprezara
Pela voz daquele que o enganou

Prisão sem chaves
Agora pode finalmente enxergar
Prisão sem chaves
O falso brilho não podia libertar

Trocou a verdade pela ilusão
A liberdade pela própria prisão
Arrependido, contempla à sua frente
A prisão sem chaves.. iminente